7 de mai de 2018

[Indicação de game] Horizon Zero Dawn


Desde que Horizon Zero Dawn foi anunciado lá na E3 de 2015, eu não via a hora de colocar as mãos nesse jogo. A imagem de uma jovem caçadora lutando contra dinossauros robô prometia um mundo diferente e inovador. Depois de zerar o game, preciso dizer que minhas expectativas não foram apenas cumpridas, mas superadas.

No game, assumimos o controle de Aloy, uma jovem que foi exilada ao nascer e passou toda a vida lidando com o desprezo dos membros da tribo dos Nora. Hábil caçadora e curiosa por natureza, ela embarca numa longa jornada para descobrir sua verdadeira origem. À medida que busca respostas sobre si mesma, Aloy também descobre a verdade por trás do fim da civilização dos Antigos e ao mesmo tempo percebe que ela própria é a chave para impedir que a humanidade desapareça em definitivo.

Já nos primeiros minutos, Horizon impressiona pelo visual belíssimo. A história se passa num futuro pós-apocalíptico, distante o bastante para quase não restarem mais traços da civilização dos Antigos (a nossa civilização, só pra constar).

O game é uma mistura de ação e RPG, além de apresentar um bom foco na exploração. Fiquei viciado nesse último elemento e com frequência perdia a hora para explorar mais cantos do mapa e juntar mais recursos. Mas certamente o que mais me chamou a atenção foram os seres que habitam esse mundo: máquinas cujo aspecto e comportamento lembram animais pré-históricos. Lutar contra elas é difícil, mas divertido. Chega a ser tentador desafiar um Tirânico (da imagem acima) ou um Arauto da Morte para uma batalha insana.

E apesar de tudo o que eu já disse, é no roteiro que Horizon Zero Dawn brilha de verdade. A trama é complexa e aborda elementos como meio-ambiente, preconceito, sacrifício e religião, entre outros. Meu lado autor não consegue deixar de pensar no quanto eu gostaria de ter escrito uma história como essa.

Pra encerrar, quero falar sobre a localização para português, que eu considero uma das melhores entre os games que já joguei, seja nas legendas, seja na excelente dublagem. Destaque para o maravilhoso trabalho de Tatiane Keplmair (a voz da Sakura, em Naruto) que dubla Aloy.

Enfim, não que esse seja um game perfeito (pessoalmente eu achei as missões paralelas um tanto rasas, assim como a maioria dos personagens secundários). Contudo, gostei tanto da minha experiência jogando Horizon Zero Dawn que qualquer problema parece pequeno.

Já entrou pra lista dos meus jogos favoritos!

Plataforma: Playstation 4
Gênero: ação, RPG
Estúdio: Guerrilla
Lançamento: 2017

30 de abr de 2018

Chamada para a antologia "Fantásticos"

Hoje trago uma antologia com uma proposta diferente. Fantásticos traz tem a proposta de ser uma obra de literatura inclusiva. Nessa coletânea, os contos devem mostrar personagens com algum tipo de deficiência.

A organização é da minha amiga Nuccia de Cicco (do blog parceiro As 1001 Nuccias) e será publicada pela editora Sinna. Abaixo seguem a sinopse e os links:

"Culturalmente, a sociedade foi ensinada a esconder seus defeitos, menosprezar quem os têm, considerar tais pessoas como incapazes, como coitadinhos dependentes.

Mas a deficiência é apenas uma das características que os constituem como indivíduos: uma pessoa pode ter uma deficiência, sem ser deficiente.

Pessoas com deficiência buscam viver com autonomia, sofrem diferentes formas de preconceitos no dia a dia, lutam por direitos e adaptações. Podem ter necessidades específicas, porém possuem força de vontade e coragem para enfrentar o mundo que os isola, para conquistar um amor, para sobreviver a uma guerra, para manterem suas profissões e até mesmo para enfrentar outros mundos e dimensões ou se tornar criaturas místicas.

A Antologia Fantásticos vem desmistificar conceitos, ensinar que superação nem sempre é sinônimo de heroísmo e ampliar a representatividade das pessoas com deficiência na literatura nacional".

> Clique aqui para ler o edital completo
> Mais informações no blog As 1001 Nuccias

24 de abr de 2018

[Resenha] Melodia Mortal, de Pedro Bandeira & Guido Carlos Levi

Livros, TV, quadrinhos, games... Sherlock Holmes está em toda parte. Sua fama não vem apenas dos livros escritos por seu criador Arthur Conan Doyle. Como se trata de um personagem em domínio público, qualquer um pode escrever uma história com ele.

Mas essa resenha não é pra falar de qualquer um, mas sim de um dos meus autores nacionais favoritos: Pedro Bandeira, da ótima série infanto-juvenil Os Karas. Melodia Mortal foi escrito por Bandeira em parceria com Guido Carlos Levi.

Antes de me aprofundar na resenha, preciso dizer que esse livro traz uma das propostas mais diferentes que já vi.

Melodia Mortal é dividido em 8 capítulos, o primeiro e o último são o prólogo e o epílogo. Os outros capítulos são contos protagonizados por Sherlock e seu inseparável amigo Watson. Cada conto apresenta uma situação paralela à morte de um grande compositor da música clássica: Mozart, Beethoven, Tchaikovsky e outros. Em meio às investigações surgem teorias que desafiam o que se sabe sobre a vida e o falecimento dos músicos.

Após cada conto, a história salta para o tempo presente e mostra um grupo de médicos - fãs do Grande Detetive - debatendo as teorias levantadas por Holmes, além de falar sobre o que a medicina moderna e estudos recentes tem a dizer sobre elas. E para encerrar o capítulo, segue uma minibiografia do músico que foi estudado.

É notável o trabalho árduo de pesquisa realizado pelos dois autores, assim como também merece elogio a capacidade em manter a trama interessante e divertida, sem se tornar didático demais em nenhum momento.

É um livro curto e bem gostoso de ler, valendo como uma ótima diversão descompromissada e uma boa oportunidade de conhecer mais sobre alguns nomes imortais do mundo da música.

Autores: Pedro Bandeira & Guido Carlos Levi
Páginas: 240
Ano: 2017
Editora: Fábrica 231 (Rocco)

16 de abr de 2018

Top 5 - Super-heróis fora do eixo Marvel/DC que merecem adaptações

Os super-heróis Marvel e DC estão em toda parte: no cinema, nos seriados, nos games e, é claro, nos quadrinhos. Com um domínio tão grande, quase não sobra espaço para outros heróis fantasiados, mas isso não quer dizer que não existam histórias alternativas de qualidade, na maioria das vezes trazendo abordagens diferentes e desconstruções do gênero.

Aqui vai um pequeno ranking com 5 super-heróis e heroínas fora do eixo Marvel/DC que poderiam render boas adaptações.

Créditos das imagens: Comic Vine

5 - Fantasma


Na Era das grandes navegações, um navio de expedicionários é atacado por piratas nas costas africanas. O único sobrevivente é o garoto Christopher Walker, que chega às praias de Bangalla, onde é socorrido por nativos. Já adulto, Christopher jura combater a injustiça e passa a vestir o manto violeta do Fantasma. O traje é passado de geração em geração, criando a lenda de que o Fantasma é imortal, o "Espirito que Anda".

Criado por Lee Falk lááá em 1936, Fantasma foi o primeiro herói mascarado dos quadrinhos. Poderia render um filme de época, criticando a colonização europeia, ou uma filme moderno, combatendo as guerrilhas africanas.


4 - Space Ghost


Um dos mais saudosos heróis da Hanna-Barbera, Space Ghost combatia tiranos que governavam planetas, raças alienígenas hostis e monstros antigos, sempre armado com braceletes capazes de disparar uma variedade de feixes de energia. Mais tarde, os quadrinhos revelaram sua origem como um pacificador que foi atacado por seus próprios companheiros corruptos. Dado como morto, retorna sob a máscara de "herói fantasma do espaço".

O sucesso de Guardiões da Galáxia é uma prova que misturar super-heróis e space opera pode dar muito certo. Uma adaptação de Space Ghost poderia ficar num meio termo entre Star Wars e Star Trek, além de render cenas  de batalha espacial incríveis.



3 - Witchblade



A Witchblade é uma antiga manopla que concede à policial Sara Pezzini poderes místicos e protege seu corpo como uma armadura mágica. Além de combater a criminalidade do dia a dia, Sara lida com feiticeiros urbanos, artefatos amaldiçoados e deuses antigos. Como se não fosse trabalho o bastante, ela ainda enfrenta os desafios de criar sua filha Hope.

Uma adaptação com a heroína teria muita ação e sensualidade, e também poderia servir como ponto de partida para um universo compartilhado no cinema, uma vez que outros personagens da Top Cow, como Darkness e Angelus, também poderiam render boas adaptações.



2 - Invencível



Mark Grayson levava uma vida normal de adolescente, dividindo o tempo entre as aulas, o emprego de meio período e as primeiras namoradas. Só que Mark também é filho do Omni-Man, o maior super-herói do mundo. Quando seus poderes começa a se manifestar, ele passa a dividir seu cotidiano com a vida como o herói Invencível.

Assinadas por Robert Kirkman (criador de The Walking Dead), as HQs de Invencível se destacam por trazer um forte elemento humano. Uma obra baseada nessas histórias traria um equilíbrio entre ação, drama e humor, uma fórmula de sucesso quando bem trabalhada.



1 - Ladybug



Os miraculous são sete artefatos que concedem poderes mágicos a seus portadores. Nos tempos modernos, um desses foi parar nas mãos de Marinette Dupain-Cheng, uma adolescente impulsiva e um tanto estabanada. Com o miraculous, Marinette recebe o poder de criar e restaurar objetos e se torna Ladybug, a defensora de Paris.

Vindo diretamente da França, Miraculous: Ladybug se tornou uma sensação mundial, incluindo no Brasil onde é exibida no canal Gloob e costuma ficar em primeiro lugar na audiência da TV fechada. Com o investimento adequado, um filme live-action teria tudo para se tornar um fenômeno de bilheteria, misturando ação e aventura com romance teen.

Parcerias

Estou aceitando parceria com blogs que desejem fazer a resenha de algum dos meus livros. Os interessados, entrem em contato através do meu perfil no Facebook ou pelo e-mail: joedelima.blog@gmail.com

2 de abr de 2018

[Tem na Netflix] Penny Dreadful


Em meio à neblina da Londres vitoriana, um caçador aposentado é atormentado pelo sequestro da filha, uma bruxa católica tenta fazer as pazes com seu passado, um pistoleiro bêbado leva uma vida isolada, um sedutor milionário busca uma companheira e o cientista Victor Frankenstein precisa lidar com a raiva e a amargura de sua criatura. Ao mesmo tempo, vampiros, lobisomens e seres sobrenaturais espreitam nas sombras.

Esse é o mundo de Penny Dreadful, produção do canal Showtime (ligado à HBO) e certamente uma das melhores séries dos últimos anos.

A série mescla diversos elementos dos livros clássicos de terror da Era Vitorina: Drácula, Dorian Grey, o já mencionado Frankestein, etc. O resultado é uma história trágica e ao mesmo tempo bela, que combina terror, drama e filosofia.

O elenco inclui nomes de peso como Timothy Dalton, Eva Green, Billie Piper e Josh Hartnett, entre outros. Com uma equipe desse nível, não é surpresa que vários episódios tragam atuações poderosas, dando vida e carisma a figuras trágicas. Ainda no quesito atuação, destaco as performances maravilhosas do quarto episódio da terceira temporada "A Blade of Grass".

A produção da série é impecável e os cenários são de encher os olhos. Ao todo, foram 3 temporadas e todas estão disponíveis na Netflix.

Abaixo, fiquem com um trailer sem spoilers da terceira temporada. Escolhi esse vídeo porque mostra todos os personagens e é o que melhor capta a essência dessa série. Se você nunca assistiu, trate de corrigir esse erro

20 de mar de 2018

[Resenha] Mórbida Procissão: Shrouded - Os Filhos da Mortalha #1, de Leandro Zerbinatti de Oliveira

Tudo começa com uma evento que deveria celebrar a chegada dos deuses. Contudo, algo inexplicável acontece e desde então, ninguém mais morre no mundo. Ou melhor, ninguém permanece morto. Todos que falecem retornam, seja como espírito ou seja numa forma reanimada e quase sem emoções.

Nesse cenário, o jovem Raran e seu pai, o fazendeiro Gran partem numa longa jornada à procura da falecida mãe do rapaz, que já deveria ter retornado. No caminho, encontram Evraxia, uma mulher cheia de segredos que possuí joias incrustadas em todo o corpo. Ao mesmo tempo, um grupo de mercenários liderado pelo guerreiro Iarum se vê às voltas com um corpo sem vida e missão de inserir uma alma nele.

Lançamento independente, Mórbida Procissão é o primeiro volume da série Shrouded - Os Filhos da Mortalha (juntando o título e o subtítulo da série com o título do livro fica um nomezinho bem comprido, hein?). É uma obra de fantasia sombria que se afasta bastante do convencional. Não é uma história sobre reis, castelos ou monstros mágicos. O tom aqui é mais intimista, o que se observa no objetivo dos protagonistas, que é resgatar um ente querido.

O estilo do autor se foca mais na narrativa e consegue criar bem a atmosfera sombria, além de enriquecer bastante a mitologia desse mundo. Por outro lado, achei que os diálogos deixaram um pouco a desejar. Há um excesso de exposição que os torna um tanto artificiais.

Como eu já disse ali em cima, são duas tramas paralelas e senti um certo desequilibro entre elas. A trama envolvendo o trio Gran, Raran e Evraxia funciona melhor por apresentar um desenvolvimento de personagens mais interessante, bem como a dinâmica entre os mesmos.

Não que a trama de Iarum e os mercenários seja ruim, mas possui um número grande de personagens e ritmo acelerado. Acredito que o livro teria se beneficiado de um plot mais enxuto.

Em última análise, Mórbida Procissão é um livro muito interessante, indicado para quem curte fantasia sombria e quer ver abordagens diferentes para esse gênero.

Autor: Leandro Zerbinatti de Oliveira
Páginas: 287
Ano: 2018
Editora: independente